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           Olhei para o cadáver mais algum tempo, haviam me chamado mais de duas vezes para falar com Anciteto, apesar do Capitão ser um homem que me inspira muito respeito, foi preciso começar a chover para que eu enxugasse a lágrima curiosa que se confundia com a chuva e esfriava meu rosto franzido. Constatei desanimado que o calor da lágrima era maior do que a enorme quantidade de água se solidificando descaradamente sobre mim. Sacudi-me um pouco e dei meia volta, em direção ao local indicado com um velho amigo reclamão, enquanto tentava distrair minha atenção ao navio recentemente conquistado, evitando ao máximo meu auto-flagelo, os outros o fariam com o maior prazer para mim.

           E Deus, é claro, se limitaria a dar-me uma explicação "sábia e esclarecedora" por intermédio de outro de seus arrogantes filhos: Burgueses, padres, é tudo a mesma coisa. Eu mesmo, em toda a maldade que fiz na vida que pode-se resumir a matar, saquear e algumas vezes estuprar, o fiz com pouquíssimas pessoas se comparado às multidões que esses cretinos o fizeram e ainda por cima em pondo-lhes admiração e submissão.

           Vou com o resto dos meliantes ao centro de controle do navio, o capitão Aniceto parabenizou a todos, dando a cada um de nós roupas de grife italiana ou francesa, não que isso importe, caras e foram roubadas dos burgueses, isso nos bastava. Mas então porque eu ainda me sentia vazio e desgostoso quanto a tudo? Já estava ficando angustiado, algo me dizia para sair dali o mais depressa possível, recomeçar, fazer certo, uma energia estranha, mágica, que eu julgava ser Deus.

           Sim, Ele. Aquele que criou a todos os cabeças-duras e os molengas do navio, os burgueses, os padres, os pobres infelizes que arrastavam-se em busca de comida, quem me fez nascer num lugar que penaria tanto na infância e adolescência e que teimava em me fazer diferente, guiando-me a esses pensamentos que parecem tão certos, mas sem confirmação.Tudo sempre se repete, com os mesmos malditos erros e traumas, só não entendia aonde Ele queria chegar com tudo isso, fosse onde fosse, ainda estava muito longe (ou quem sabe não), tudo que eu, afoitadamente pensava sobre Deus era sobre Sua tremenda falta de sorte, talvez sentisse mais pena Dele do que ele de mim, mas com certeza Ele me amava mais do que eu O amava.

               Ah! Santo materialismo! O navio era imenso e muito luxuoso, algumas parte revestidas de ouro, cheio de baús de jóias, a vela muito acima, pareciam deixar vaidosamente a luz das estrelas e da própria Lua penetrar nos seus fios de seda, o solo era feito de uma madeira escura na claridade, aparentava ser vinho, senti pena ao ver o tapete encharcado com o sangue daqueles burguesinhos prepotentes, mas como era vermelho mesmo, deixei isso de lado e, enquanto meus amigos violavam as jovens filhas e esposas dos mortos, fui conversar com o capitão até então na ponte do navio tomando uma bebida estranha, talvez rum.

- Senhor?

- Hum? - O capitão perguntou, um tom meio esquisito, o rosto muito vermelho, olhos fora de órbita e uma expressão de prazer intenso

- D-desculpe. Pergunto amanhã. - 

           Engraçado, não? Por mais que culpasse Deus por tudo que aconteceu e principalmente o que passo agora, eu ainda me dava o luxo de culpá-lo por ter preservado o mínimo de humanidade: Detestava ver pessoas com "motivos físicos" para justificar as bobagens que faziam. Tudo que fiz de errado fiz sóbrio, e meu único orgulho dessa vida ingrata de covarde que levo é dizer que nos momentos em que me culpei jamais tentei aliviá-lo. Tá, tudo bem, talvez eu tenha tentado a Igreja uma ou duas vezes... Fora as outras em que fui forçado a ir pela minha mãe até os quinze anos, quando fugi com um amigo para o mar, onde nos juntamos a piratas. De qualquer jeito não gostei, sempre que olhava para aquele lugar me sentia reprimido, achava que se o padre queria que eu rezasse, comprasse terras no céu ou que fizesse "bem" para as pessoas ele só precisava dizer isso diretamente, e não repeti-las com todas as metáforas e sinônimos possível todo "santo" domingo! Vou ser sincero: Jamais entendi sequer uma de suas metáforas.

- Allan, volte. Vamos conversar. - Sua voz não saiu tão ruim como eu achava, estava sóbrio afinal. - Pode falar primeiro.

- Bom... Capitão, sabe como é, nós estamos nessa de pular de barco para outro assaltando, tá certo que até gosto de ver esses burgueses mortos e tal, as mulheres são bonitas, mas já faz quase dois anos que não pisamos em terra firme, a tripulação passou um sufoco com a comida e-

- Você gosta de arte, Allan?

- Ãh... Sim, apesar de admira-la sem muito critérios.

- O critério é sua admiração, Allan! -sorriu e voltou a olhar para frente - Gosta daquela arte bem ali? Não parece exposta exclusivamente para nós dois? - Riu baixinho apontando para o Céu.

Pensei um instante olhando para onde achava que apontava.

-Sim. Aquela nuvem parece o nosso primeiro navio, lembra?

- Ehehehe! Aquela banheira flutuante, impossível esquecer. O pior é que era super pesado e ainda por cima a gente tinha que ficar correndo de um lado para o outro pra manter a joça de pé!

- E nos temporais então?!

Rimos como duas boas crianças que acabaram de entrar na adolescência: Com a cabeça pendurada para tras, tronco apoiado pelos braços no chão, as pernas esticadas e relaxadas, deixando o riso modificar todo o rosto oscilando com sua intensidade. Virados para o sol que ria conosco o que a alguns anos era extremamente sério.

- Naquela época eram só eu, você, Alfred, Julna e Leroy. Agora é quase um exército!

- Ahaha, não está orgulhoso, capitão?

-Não, tenho certeza que a maioria deles não vale nada! Das três uma: Ou só bebe. Ou só festeja. Ou só rouba (até de mim!). - Quando terminei de rir ele prosseguiu - Mas não era essa a "arte" que eu estava apontando, caro Allan.

- O que é então?

- O céu.

Meu olhar pendeu sobre ele por mais um tempo até que sobrevoou para o alto. Ah, sim. Deviam ser por volta das quatro da tarde e os "dois lados opostos da laranja" se delimitavam a 90º da gente. Aquela combinação exótica de azul, rosa, laranja e amarelo no meio ia se escurecendo num azul profundo até que atingisse aquele preto que todos conhecemos, aquele negro que Ele não permitiria, não fossem os magníficos pontos luminosos. Suspirei.

- Sim, essa é sem dúvida a mais bela de todas.

- É. Pôr-do-sol, o velho azul celeste diário, Sol do meio dia, o amanhecer, o crepúsculo, a noite sem contar com os dias em que chove e neva! Estamos no lucro!

Acenei com a cabeça rindo e olhando novamente. Nesse instante parece tão real, mas com minha experiência em "céus" eu sei que logo, logo, passa e o pior de tudo é que não serei capaz de me lembrar dessa, assim como não me lembro das antigas

Postado por Christiana às 11h25
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Escrita, linguagem e palavras

                       Hoje lembro com ar de graça o verão dos meus seis anos de idade. Eu era considerada um verdadeiro ser aquático, uma hora era um dragão que estava preso dentro da água por uma maldição, uma sereia se divertindo ou imaginando seu príncipe, um peixe fugindo dos tigres que se banhavam as margens (meus pais e aqueles parentes chatos) e mais um catatal de coisas!
                       E num dia memorável, deviam ser 10 horas da manhã, eu estava pronta para dar um belo salto naquela água gostosa que era a minha piscina brilhando e me chamando calmamente quando ouço outro chamado. Era minha mãe. Fechei a cara, pedi liscença para a piscina e perguntei o que ela queria, ela me mandou ir ler um livro. Eu arregalei os olhos.

- Mas por quê?!
- Você está com dificuldade pra ler, não está? Precisa praticar! É só praticar agora e um dia ficará excelente na leitura.

                       Eu gostava de ouvir a minha mãe lendo em voz alta os livros dela. Ela é professora de português e nós estudamos no mesmo comodo, chamado "quarto de estudos", apesar disso nunca estudamos cada uma na sua mesa a mesma coisa porque ela sempre teve mania de ler tudo em voz alta. Alta mesmo. A ponto de dar aquela aguniazinha bem no fundo do típano. Os livros que gostava de ouvir (geralmente o fazia do outro lado do cômodo por causo do barulho, sabendo que na maioria das vezes eu não resistia e ia deitar em seu colo) eram do ficção e romances, livros maravilhosos do tipo Harry Potter, esse sim, eu nunca esqueço da minha mãe ditando aqueles fatos impressionantes, eu tinha gostado do filme, mas o livro me parecia infinitamente melhor.
                        Mas enfim, o problema era: eu odiava ler, sempre tropeçava nas palavras. Essa angústia de ler começou no maternal. Sim, eu me lembro muito bem, todos os meus amigos conseguiam dizer todas as vogais normalmente e eu achava sinceramente que conseguiria fazer isso. Mas aí aconteceu: A professora me pedia para dizer "A, E, I, O, U" e eu dizia normalmente como o resto de meus colégas, mas aí ela fez uma coisa que até hoje não entendi, inverteu as letras de lugar, deixando na seguinte ordem: "A, I, U, O, E" e pediu para dierem as ltras novamente nessa ordem. Chegou minha vez: "A, I, U... O e..." A professora arqueou a sombrancelha e pediu para eu repetir. "A...-" nesse momento percebi que meus colégas me olhavam com curisidade e com leve deboche a professora gritou por minha atenção, pedindo para eu repetir com voz grossa. "A... E" Errado. Balançei a cabeça, começei a suar frio e tremer, meus olhos começaram a arder a minha garganta parecia tentar se esconder no estômago. "Repita a sequência. Vamos, Helena, diga a ordem" Helena, minha amiga, levantou e sitou com eficiência as letras, enquanto eu resava para ela continuar sendo o centro das atrações até o fim da aula. Logo a professora se virou para mim e pediu novamente, dessa vez com doçura. Não pronunciei uma só palavra muito enos sílaba. Ela suspirou e pediu para outra criança dizer a ordem. Aquela foi a primeira vez que eu me senti inútil e fraca. Nada que não fosse esquecido depois do recreio, claro, mas eu fiquei realmente abalada com aquilo. Não podia ler. Não conseguiria ler, "só vai me trazar desgraça".

Postado por Christiana às 21h36
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                                Eu admito ser uma pessoa impar. Nunca consegui me supriender com quem quer que seja. Me pergunto seriamente se algum dia eu me senti enseguro ou preocupado. O que me diferencia das pessoas comuns é o fato da voz faminina repetir, na frequência com que as ondas do mar batem nas pedras da praia que "tudo vai dar certo", "tudo tende a melhorar", "espere só mais um pouco, ele vai chegar".

Postado por Christiana às 12h42
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E eu?


Este blog foi criado dia 25 de outubro de 2008. Não para meus desabafos, mas para as minhas histórias. Não posso dizer se vão ser românticas, de ação nem nada, muito menos se terão um fim ou não. Mas fique sabendo que eu sou espírita e para mim, o fim de uma história é uma deixa para você que chegou ao ponto parecido ou se identifica com o personagem ficcional ou não, dar um fim para essa história por si só. Nada é para sempre, mas nem por isso deixa de "existir". Por isso, pegue todas as frases mais chicles que conhece e comece a dar um significado especial para a sua vida. Essas foram minhas palavras, acredite, eu já estive em uma situação bem pior que a sua, eu sempre fui a "vilã" da minha própria vida e esperava, graças a esses programas e propagandas capitalistas que um dia, sim, algum dia conheceria alguém que mudaria minha vida, ou então que algo extraordinário acontecesse, como ir para outro país. Com o tempo, todos os meus sonhos foram "apodrecendo" e eu cheguei a um estado crítico, desenvolvendo umas 3 personalidades novas, ficar parada me cansava porque sentia meus pensamentos e algo fazia questão de narrá-los para mim mesma, até que um dia, tive uma "crise" em uma festa de família. Adivinha: Até hoje eles me odeiam. Acredita que eu cheguei a cortar meus pulsos? É. E naquele momento eu ouvia pessoas morrendo de rir, era assustador, chegava a sentir pessoas me agarrando por trás e me espancando enquanto eu tinha minha crise. Dias depois me encontrei com um parente que estava na festa e assim sucessivamente, uma delas era a moça que devia fazer as minhas unhas. Ela simplesmente colocou minhas mãos em carne viva, enquanto as moças do salão riam de mim, junto com as "coisas" que me levavam às crises. Minha mãe estava na manicure e na festa, entretanto não fez nada para impedir. Eu amo tanto a minha mãe, acho que por isso insistia tanto que ela deveria ser perfeita.

Postado por Christiana às 18h28
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História Ficcional


Olá, Thomas, como vai? Bom... Eu estou bem! Parece até que tudo que eu passei antes de me formar compensa a serenidade dos meus dias atuais.
 
Falando nisso, a vida é engraçada, não é, Thomas? Existem coisas que ficam registradas para sempre, outras que somem com a idéia de uma nova. Lembro como era antes, eu olhava para o passado com mágoas, mais nervoso com Deus do que com meus carrascos, por me fazer sofrer tanto, e não poder colocar a culpa em outra pessoa a não ser eu mesmo. Hoje me orgulho disso. Suei bastante, sei agora que tudo tem um propósito e por mais medonho que possa parecer,a cada gota de sangue derramado,
eu colhi um rubi,
a cada lágrima,
um diamante
e do meu amor,
algo mais preciso que ouro maciço.

É sim, essas palavras soam melancólicas, mas saiba que, fora os momentos em que passei com você, nunca me senti tão bem na vida.

Thomas... Você lembra do dia em que tudo começou? Um pouco antes de nos encontrarmos, já nos conhecíamos, ou foi só bobagem minha? Bom... Saiba que conhecer você foi como acordar de um pesadelo, para um mundo de esperanças, onde você era deus que tudo sentia e tudo sabia, e eu... Bom, eu era o aprendiz de "anjo".

 Em todo caso... Há algo que eu queria te contar a muito tempo...

Thomas
Capítulo 1 - Lugar Sagrado

Postado por Christiana às 17h38
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Meu Perfil

Sou uma pessoa ímpar. Olhos e cabelos escuros. Rosto que muda de mais ou menos feio e bonito conforme o humor (verdade!). Pele aturavelmente branca. Tenta ser o mais calma possível. Acredito em Deus e em mim mesma. Não acho que a paixão seja tudo na juventude. Adoro ler, escrever, criar, poemas, contos. Sou basicamente espírita. Acho SIM que o estudo moral é a coisa mais importante na vida.
Frase feita por mim, cara =D

"Melhorar moralmente é encontrar equilíbrio incondicional nas coisas mais simples."

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